quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A torre da catedral


Não sei exatamente por qual motivo. Não me lembro mais se foi falta de tempo ou boa vontade. Mas nas últimas duas vezes em que estive em Colônia deixei de fazer o essencial e permitido: subir uma das torres da catedral, patrimônio da humanidade, construída inicialmente para guardar relíquias dos três reis magos; e também um dos maiores monumentos góticos do mundo.

Esse "post", portanto, é um pedido de desculpas a mim mesmo. Foi um erro terrível. De qualquer forma, já estou perdoado.

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Eram quase onze horas da manhã desta quarta-feira nublada na Vestfália quando eu e minha irmã saimos para almoçar na estação de metrô. Lá se encontra todo tipo de comida. A igreja fica bem ao lado. Comemos a tradicional Curry Wurst (uma salsicha em rodelas com um molho picante de ketchup e, claro, curry) e decidimos ir ao centro. Antes fizemos uma parada; uma parada na catedral.

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Um dos acessos é por porta de vidro e giratória. Vimos uma mulher vindo na nossa direção e giramos junto. Cinco segundos e o ar ficou diferente. Mais frio.

Apareceram aquelas colunas enormes de pedras desenhadas por ferramentas de prata, aquelas abóbadas pontiagudas tão altas e grandiosas que diminuem qualquer pessoa; aquela sensação de que se está dentro dos detalhes da história da Europa e da arquitetura dos séculos que nós não vivemos.

Ouvimos alguns passos à esquerda e seguimos o fluxo dos turistas. Eles íam para a Câmara dos Tesouros. Fomos também.

O homem que vendia os ingressos da Câmara ofececeu o passeio na torre e me disse que seria preciso caminhar um pouco, subir alguns degraus. Ele foi sincero. Esqueceu só de me falar quantos: 533.

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A Câmara visitamos com certa rapidez. O que mais vimos: relicários dos primeiros bispos, castiçais, roupas antigas. Já na torre demoramos um puoco mais. Não tivemos opção.

A subida começou no subsolo da catedral, nas fundações dela; uma caverna quase.

Seguimos por uma escada em espiral sombria, estreita (um metro ou um metro e meio de largura talvez) e de aparência infinita (533 degraus, só pra te lembrar). Não dava pra saber quando ía terminar, se ía terminar, embora a gente sempre saiba que termina sim. O fato é que tínhamos 157 metros pela frente. Ou melhor, acima de nós.

O movimento dos visitantes dificultou a tarefa. É porque quem descia, descia pela parte mais larga do degrau. Pra nós, que fazíamos o caminho contrário, sobrou o restinho. Fomos nesse restinho bem fino, respirando fundo e parando de vez em quando pra olhar a paisagem das vidraças. Colônia ficava cada vez menor.

Um andar, dois... três... nem sei direito... minha irmã quis desistir por várias vezes e insisti que fôssemos até o último. Valeu a pena.

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Primeiro motivo: conhecemos os sinos. São pelo menos oito sinos de bronze; um fica no centro, é maior, e a cada moeda colocada por um turista, ele toca. Enquanto estávamos lá, tocou.

Outros motivos: depois de mais uma escada, chegamos à torre. O vento soprou mais forte e as outras dezenas de partes da catedral ficaram ainda mais visíveis. As esculturas que não conseguíamos ver da praça estavam a poucos centímetros das mãos, mas protegidas por grades. E era só inclinar um pouco a cabeça que o topo da "Dom" estava ali. O céu, também. Eu ía deixar de tirar uma foto pra ficar de recordação? Nunca.

Bom... nem reclamei, mas foi cansativo... rs...

4 comentários:

  1. Ah que lindo! Adorei a foto, o texto, tdo está ótimo.

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  2. Oh baby... obrigado!... já estou na França...

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  3. A França só me lembra o Código da Vincci. Baby, por favor veja o quadro Madona das Rochas por mim.rs...

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